GPCIn – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Competência em Informação
  • Reunião dos pesquisadores do Núcleo GPCIn – capacitação PDCIn BPSC em andamento

    Publicado em 25/09/2020 às 18:49

    Notícia em construção…aguarde…


  • Banca de qualificação de doutorado 2020 e memória 2019

    Publicado em 19/09/2020 às 14:51

    No ano de 2019, no I SEICIn e III SEPCIn, uma memória trouxe à tona a alegria daqueles dias: autografando livro para CLAUDIA MARIA ALVES VILHENA (ver e-book “Competência em informação: conceito, contexto histórico e olhares para a Ciência da Informação) em https://editora.ufsc.br/estante-aberta/). No ano de 2020, um novo encontro: Prof(a). Elizete Vieira Vitorino – UFSC [por videoconferência] participando como membro titular da comissão examinadora do exame de qualificação de doutorado de CLAUDIA MARIA ALVES VILHENA, no dia 28/08/2020: “COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E SUA CONTRIBUIÇÃO NO COMPARTILHAMENTO DOS SABERES E FAZERES MUSEAIS DOS PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO EM MUSEUS: O MUSEU COMO UMA COMUNIDADE DE PRÁTICA”, na ilustre companhia da Prof(a). Célia da Consolação Dias – ECI/UFMG [por videoconferência] (Orientadora), Prof(a). Heloisa Helena Fernandes Gonçalves da Costa – Aposentada/UFBA [por videoconferência], René Lommez Gomes ECI/UFMG [por videoconferência]. Bons momentos merecem ser registrados:


  • Lançamento!!! Livro “As Dimensões da Competência em Informação: técnica, estética, ética e política”

    Publicado em 04/09/2020 às 15:31

    Título: As dimensões da competência em informação: técnica, estética, ética e política

    Organizadoras: Elizete Vieira Vitorino; Djuli Machado De Lucca

    Editora: EDUFRO, Ano: 2020 Páginas: 240

    ISBN: 978-65-87539-06-5 (digital)

    ISBN: 978-65-87539-16-4 (físico)

     

    É com imensa alegria que divulgamos esta obra “As Dimensões da Competência em Informação: técnica, estética, ética e política” organizada por Elizete Vieira Vitorino e por Djuli Machado De Lucca, ex-aluna do Curso de Graduação em Biblioteconomia, ex-mestranda e ex-doutoranda do PGCIN, hoje, Professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), é um projeto que se iniciou no ano de 2016.

    Na obra, além de outros três capítulos, de autoria de Elizete Vieira Vitorino, constam 4 capítulos dedicados às dimensões da competência em informação, técnica, estética, ética e política, escritos por ex-mestrandos do PGCIN e, a maioria deles, ex-alunos Curso de Graduação em Biblioteconomia da UFSC, e, atuais doutorandos do PGCIN. São eles: Alexandre Pedro Oliveira (dimensão técnica), Eliane Rodrigues Mota Orelo (dimensão estética), Eliane Pellegrini (dimensão ética) e Djuli Machado De Lucca (dimensão política).

    Esta obra venceu um edital da UNIR em 2018 e foi totalmente custeada pela UNIR, cujo lançamento é pela Edufro (Editora da Universidade Federal de Rondônia). Lançada ontem, 03/09/2020 em e-book para acesso gratuito (http://www.edufro.unir.br/pagina/exibir/5430), a obra também será disponibilizada em formato físico (papel).

    Link para o lançamento da Edufro: https://www.youtube.com/watch?v=bYfQvndFi1U

    Link para o lançamento do livro em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=smFH2WeXljw

    Link para acesso ISSUU: https://issuu.com/edufro/docs/as_dimensoes_da_competencia_em_informacao

    Download da obra: http://www.edufro.unir.br/uploads/08899242/Capas%206/As%20Dimensoes%20da%20Competencia%20em%20Informacao.pdf

    Aproveitem a leitura! Pesquisar e escrever valem a pena! Este é um dos grandes presentes dos pesquisadores e cientistas: ver suas ideias e sua obra publicadas!


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (07)

    Publicado em 02/09/2020 às 11:34

    Neste último texto da série, o autor  ressalta que o cenário das bibliotecas, arquivos e museus é promissor, tendo em vista que os profissionais têm incluído em suas agendas serviços de informação “especiais” para orientar seus usuários no enfrentamento da pandemia. É um dos textos produzidos por pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Esperamos que estas reflexões inspirem alunos, pesquisadores, profissionais tanto em desenvolver e promover a competência  em informação, quanto em produzir relatos de suas experiências, reflexivas , teóricas ou práticas. Boa Leitura!

    Nesta última postagem da série, trazemos a reflexão escrita por

    Leonardo Gomes Remigio, leonardogremigio@gmail.com

    Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Amazonas

    Brevíssima reflexão acerca do cenário contemporâneo da pandemia do “Novo Corona Vírus” na perspectiva da competência em informação

     Descoberto em dezembro de 2019, após ocorrências, na China, de pessoas com problemas respiratórios graves, o “Novo Corona Vírus” ou “COVID-19” é um vírus altamente infeccioso que rompeu rapidamente as fronteiras da China e se espalhou ao redor do globo, culminando na pandemia que, após três meses da notificação dos primeiros casos, preocupa governos, mercados, organizações, grupos sociais e atinge a todos os cidadãos. Dado os números alarmantes de infecções, internações e óbitos, diversos países têm montado estratégias para conter a curva das infecções. No Brasil, medidas como o distanciamento social para todos os cidadãos e a quarentena de 14 dias para os casos suspeitos têm sido tomadas para frear o número de infectados que, apesar disso, tendem a subir. Diante deste cenário, muitos cidadãos brasileiros se viram em uma situação inédita e, imersos na sociedade da informação, conectam-se com as notícias do mundo por meio das tecnologias da informação e comunicação, em um cenário de ampla disponibilidade de informação e desinformação. Diversas iniciativas de reunião e disponibilização de informação têm sido lançadas, cujos conteúdos são disseminados em larga escala nas redes sociais, alcançando diversas parcelas da população brasileira. Organizações diretamente ligadas à ciência da informação dão belos exemplos: a FEBAB criou o guia “Informação em quarentena(1)”; o IBICT um mapa interativo(2) e uma rede de pesquisadores e especialistas(3) sobre Corona Vírus; e, o site Bibliotecários sem Fronteiras idealizou uma revisão sistemática(4) e recursos sobre o tema. São exemplos de organizações que, atuando como mediadores informacionais, fomentam o desenvolvimento da competência em informação. Felizmente, bibliotecas, arquivos, museus têm incluído em suas agendas serviços de informação “especiais” para orientar seus usuários no enfrentamento da pandemia, alinhados à organizações de todos os setores da sociedade que têm investido recursos em iniciativas de promoção de acesso à informação confiável e atualizada no intuito de responder às necessidades informacionais dos cidadãos e fomentar melhor compreensão desse momento de crise, de forma que, acessando-as, estes sejam capazes de tomar decisões orientadas por informação segura e fidedigna.

    (1)FEBAB – Informação em quarentena: https://bit.ly/3dvEONo

    (2) IBICT – Mapa interativo Covid-19: https://visao.ibict.br/#/visao?chart=1&grupCategory=16

    (3) IBICT – Rede de especialistas e pesquisas: http://especialistasepesquisas.ibict.br/coronavirus/

    (4) Bibliotecários sem Fronteiras – Revisão sistemática e recursos: https://bsf.org.br/2020/03/17/revisao-sistematica-e-recursos-sobre-covid-19/  


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (06)

    Publicado em 20/08/2020 às 20:41

    Neste texto, a autora alerta que ter acesso a informações que afetam a sociedade e a partir delas agir em prol da coletividade é uma das atitudes para o desenvolvimento competência da informação, impactando positivamente no bem-estar da coletividade.É um dos textos produzidos por pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Nesta nova postagem, trazemos a reflexão escrita por

    Jaciara Paula Casagrande, mestranda, PGCIN

    jaci.casagrande20132@gmail.com

    Na atual sociedade da informação em que vivemos, precisamos aprender a lidar com a sobrecarga de informações que chegam sem parar. Como relata De Masi (2019, p. 212), “nós vivemos emaranhados em uma meada de informações planetárias, obrigados diariamente a desenrolá-la, simplificá-la e decodificá-la”. Com esse bombardeio informacional, ser competente em informação é essencial para poder assimilar os conteúdos, distinguir o que é relevante e a partir disso tratar essa informação da forma correta e melhor possível para sua guarda e posterior recuperação. Em meio a toda a informação veiculada, grande parte são notícias que chegam todos os dias com grande frequência. Nos tempos conturbados nos quais estamos vivendo, com o surto do coronavírus e a quarentena como medida principal de evitar a sua propagação e maiores danos na humanidade, a maioria das informações que aparecem são preocupantes e nos deixam alarmados. Além disso, esse cenário é propício para o surgimento das fake news, que abalam a estrutura de equilíbrio que a sociedade precisa para viver em harmonia. Dessa forma, um grande impacto psicológico e emocional acaba acarretando incertezas e ansiedades. Acredito que ser competente em informação englobe também saber filtrar essas informações e ter a capacidade de tratá-las e divulgá-las de forma esclarecida e sem sensacionalismo, com o intuito de ajudar a população e diminuir o impacto negativo que possam causar. Ainda segundo De Masi (2019, p. 212), “dar e receber informações precisas contribui para a harmonia coletiva e para a felicidade individual”. Em relação ao que foi citado, mostra-se a necessidade em lidar com a desinformação que gera muitas vezes incertezas, podendo causar pânico. Costumamos temer o desconhecido e temos um reflexo de autopreservação, que em meio aos acontecimentos atuais, as situações podem levar ao individualismo, prejudicando assim a coletividade. Assim, notou-se a necessidade que a população demonstra em ter alguém no poder que opte por medidas que favoreçam o bem da coletividade. Essas figuras de poder precisam ser, acima de tudo, competentes em informação, para saber diagnosticar com base nos acontecimentos globais o que é melhor para o coletivo e aplicar para sua população. Ter acesso a informações que afetam a sociedade e a partir delas agir em prol da coletividade é uma atitude exemplar, na qual aplicam-se as habilidades, dentre elas a “capacidade […] de mobilizar recursos visando abordar e resolver situações complexas”, relatada por Moretto (2009), que são referentes a competência da informação, impactando assim positivamente no bem-estar da coletividade.

    Referências: DE MASI, Domênico. Uma simples revolução. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. 368 p.

    MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: planejando a educação para o desenvolvimento de competências. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. 


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (05)

    Publicado em 12/08/2020 às 14:28

    Neste quinto texto, o autor alerta para a ansiedade na busca por informações, que por consequência acabam tornando um usuário desinformado e alienado. É um dos textos produzidos por pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Nesta nova postagem, trazemos a reflexão escrita por

    Jônatas Edison da Silva

    Arquivista, Mestrando – PGCin – UFSC

    Avanços tecnológicos, tecnologia da informação, informação, ansiedade por informação, excesso de informação, desinformação, competência em informação, são alguns temas que estão cada vez mais presentes nos estudos científicos da Ciência da Informação. Ao estudar é importante entender e refletir do geral para o específico, ou seja, do contexto externo para o interno e para isso primeiramente será conceituado a denominada “Sociedade da Informação” e partir disso os demais temas. Nesse sentindo, segundo Borges (2008), a Sociedade Informação é vista pelo uso intenso e direto da informação, do conhecimentos e das novas tecnologias da informação e da comunicação no cotidiano dos ofícios das pessoas. É uma sociedade que utiliza cada vez mais os computadores para o tratamento de dados e para automação dos processos e acesso a informação. Diante desse cenário do século XXI, observa-se uma explosão de informações, já mencionada por Tefko Saracevic em 1996, e que Mattos (2009, p.39) faz uma analogia com as ervas daninhas no jardim, “Se um dia ela (informação)foi uma mercadoria muito valorizada, hoje parece mais com as ervas daninhas no seu jardim: aparecem sem querermos, e se espalham por todo o lado”. Porém, em consequência disso surge uma ansiedade de informações por parte dos usuários, que é resultado de um processo do qual usuário acredita que deveria saber constantemente de tudo, com a questão se realmente é essencial aprender, receber tudo. E o ponto principal para resolver isso, seria a compreensão, para filtragem e o entendimento de informações que realmente são essenciais para o usuário (ALVES; BEZERRA; SAMPAIO, 2015). Paralelo a isso, existe um processo de desinformação, informações distorcidas, fake news, sensacionalismos e boatos gerados principalmente por redes sociais digitais. Que de acordo com Brito e Pinheiro (2015, p. 4) a desinformação gera um incompreensão da realidade, “um estado de ignorância do indivíduo em relação ao conhecimento que lhe seria relevante”. Se por um lado existe um excesso de informações, também é observável a falta de informações verdadeiras. A perspectiva da Competência em Informação é vista por Belluzo, Santos e Junior (2014, p. 4) como um: “conjunto de competências e habilidades que uma pessoa necessita incorporar para lidar, de forma crítica e reflexiva, com os diversos recursos informacionais existentes”. Por isso que os problemas como a informação (ansiedade, desinformação, manipulação) podem ser amenizar por meio de uma série de habilidades que o usuário adquiri para saber usar a informação de forma responsável. Essas questões são objeto de estudo da Ciência da Informação, que possui como enfoque “[…] os problemas da efetiva comunicação do conhecimento e de seus registros entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das necessidades de informação […]” (SARACEVIC, 1996, p.47). E é nesse cenário de problemas com a informação que a Competência em Informação investiga, ou seja, exemplificando que, por meio das dimensões técnica, estética, política e ética tratam desses conteúdo, promovendo ideias para amenizar esse excesso de informações falsas, que geram uma ansiedade na busca por informações, que por consequência acabam tornando um usuário desinformado e alienado.

    REFERÊNCIAS

    ALVES, Ermerson Nathan Pereira; BEZERRA, Sarah Freire; SAMPAIO, Débora Adriano. Ansiedade de informação e normose: as síndromes da sociedade da informação. Biblionline, João Pessoa, v. 11, n. 1, p.130-139, jan. 2015. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/view/17168. Acesso em: 22 ago. 2018.

    BELLUZZO, Regina Célia Baptista; SANTOS, Camila Araújo dos; ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. A competência em informação e sua avaliação sob a ótica da mediação da informação: reflexões e aproximações teóricas. Informação e Informação, Londrina, v. 19, n. 2, p.60-77, 2014.

    BORGES, Maria Alice Guimarães. A informação e o conhecimento como insumo ao processo de desenvolvimento. Revista Ibero-americana de Ciência da Informação, [s. L.], v. 1, n. 2, p.175-196, jul. 2008. Disponível em: http://seer.bce.unb.br/index.php/RICI/article/viewArticle/815. Acesso em: 20 marc. 2020.

    BRITO, Vladimir de Paula; PINHEIRO, Marta Macedo Kerr. Poder informacional e desinformação. In: XVI ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2015, João Pessoa – Pb. Anais. João Pessoa: ENANCIB, 2015. p. 1 – 21.

    MATTOS, Alessandro Nicoli de. A Informação é prata, Compreensão é ouro: Um guia para todos sobre como produzir e consumir informação na Era da Compreensão. Brasil: Alessandro Nicoli de Mattos, 2009.

    SARACEVIC, Tefko. Ciência da Informação: origem, evolução e relações. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 41-62, jan./jun. 1996. Disponível em: http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/viewFile/235/22. Acesso em: 24 mar. 2020.


  • Palestra PPGCI-UNESP-Marília

    Publicado em 17/07/2020 às 23:31

    No último dia 09 de julho de 2020, a Líder do Núcleo GPCIn, Dra. Elizete Vieira Vitorino, proferiu a palestra “Competência em informação: uma proposta para minimizar a exclusão informacional no Brasil” para o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI-UNESP-Marília, SP). O conteúdo na íntegra está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Rxm1Vyfcp84


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (04)

    Publicado em 08/07/2020 às 15:29

    Neste quarto texto, o autor defende o desenvolvimento da competência em informação como essencial, em tempos de pandemia, para que as pessoas consigam lidar com o volume crescente de informações, de forma crítica e consciente, evitando a desinformação. É um dos textos produzidos por pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Nesta nova postagem, trazemos a reflexão escrita por

    Orlando Vieira de Castro Junior, 

    Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PGCIN), da UFSC

    Domenico de Masi (2019, p.213) assinala que, enquanto nossos avós padeciam com a falta de informações, atualmente sofremos com o excesso de mensagens. Essa sensação de angústia, causada pela impossibilidade de nos apropriarmos ou mesmo compreendermos a imensa quantidade de informações com a qual somos confrontados diariamente, somente pode ser evitada por meio de uma “sólida cultura”, que permita “selecionar as informações certas e valorizar apenas as que úteis” (MASI, 2019, p.213). Em suas palavras, na verdade, o autor descreve nada mais que um dos aspectos da competência em informação. O sociólogo italiano destaca os jornalistas como exemplo de categoria profissional capaz de traduzir o conhecimento acadêmico em algo inteligível para o leitor comum. Todavia, há que se levar em conta que os meios de comunicação podem assumir, como o próprio autor indica, um poder paralelo capaz de levar à sociedade a uma espécie de ditadura pós-moderna onde as notícias são manipuladas para favorecer grupos de interesse. Nesse mesmo sentido, durante palestra proferida na 10ª Conferência da LILAC, em abril de 2014, Paul Zurkowski (2014) defendeu que a competência em informação pode dar aos cidadãos comuns a capacidade de navegar em meio a um grande volume de informações, com base nas quais podem se habilitar a encontrar soluções acerca de questões essenciais para suas vidas e suas comunidades. Alerta, ainda, para o fato de que quem detém o controle da informação também pode usá-la como instrumento de desinformação, manipulação e opressão. O autor defende a competência em informação como uma forma de empoderamento das pessoas diante dessa ameaça. A história recente do nosso país demonstra que as preocupações de Zurkowski (2014) são pertinentes. Diante do exposto, o desenvolvimento da competência em informação é capaz de prover essa espécie de “sólida cultura” proposta por Masi e ao mesmo tempo empoderar os cidadãos na defesa dos seus melhores interesses democráticos, como argumenta Zurkowski. Dudziak (2003), Almeida Junior e Bortolin (2007) e Wilder (2006) são uníssonos em defender o papel dos profissionais da informação como mediadores no processo de recuperação da informação. De fato, Dudziak já alertava para a importância do papel do bibliotecário como agente educacional e esclareceu que,  “a verdadeira mediação educacional ocorre quando o bibliotecário convence o aprendiz de sua própria competência, incutindo-lhe autoconfiança para continuar o aprendizado, transformando-o em um aprendiz autônomo e independente” (DUDZIAK, 2003, p.32). Dessa forma, entendemos que os profissionais da informação são os atores mais adequados para a importante tarefa de mediação da informação pois, ao contrário dos jornalistas, estão menos sujeitos às determinações dos grupos de interesses que dominam os meios de comunicação de massa. Tal afastamento entre a mediação e a manipulação, como bem alertam Almeida Junior e Bortolin (2007), deve ser um exercício ético diário do profissional da informação. Por fim, defendemos o desenvolvimento da competência em informação como essencial para que as pessoas consigam lidar com todo esse volume crescente de informações, de forma crítica e consciente, possibilitando a recuperação e uso de informação relevante para solução dos seus problemas individuais ou das comunidades em que vivem.

    REFERÊNCIAS

    ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de; BORTOLIN, Sueli. Mediação da Informação e da Leitura. In II Seminário em Ciência da Informação – UEL, Londrina, 2007. Disponível em: < http://eprints.rclis.org/13269/>.  Acesso em 29 mar. 2016.

    DUDZIAK, E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da Informação, Brasília/DF, v. 32, n. 1, p. 23-35, jan./abr. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v32n1/15970.pdf. Acesso em: 29 mar. 2020.

    MASI, Domenico De. Uma simples revolução. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

    WILDER, Gabriela. O museu como visão de mundo e exercício de diversidade. In: Congresso Internacional de Arquivos, Bibliotecas, Centros de Documentação e Museus, 2, jun. 2006, São Paulo, SP. (Painel, 26 jun. 2006 – Organização de conteúdos e identidade cultural – anotações pessoais).

    ZURKOWSKY, P. G. Information Literacy and The New Era of Enlightenment. In: 10th ILAC Conference. 2014. Apresentação em vídeo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8DXnUvseNTs&feature=youtu.be>. Acesso em: 29 mar. 2020.


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (03)

    Publicado em 26/06/2020 às 21:22

    Este terceiro texto apresenta uma reflexão sobre a competência em informação no cenário de sobrecarga, ansiedade, excesso e falta de informação – desinformação. É um dos textos produzidos por pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Nesta nova postagem, trazemos a reflexão escrita por

    Patrícia S.S. Bertotti, Arquivista, Mestranda PGCIn/UFSC

    patricia.bertotti@outlook.com

    Suscito esta reflexão com as palavras de Masi (2019, p. 214) “Só uma informação cabal, fluida e exata consegue potencializar as energias de uma sociedade conectando-a entre si.” No entanto, o que vivemos hoje é uma verdadeira torrente de informações onde a desinformação vem de onde deveria vir a informação correta e precisa. Desde a decretação da pandemia praticamente todos os canais de notícias brasileiros estão voltados para este tema, gerando ansiedade na população.   Mas como separar aquilo que é relevante para a prevenção, de todo esse volume de informações que vem sendo repassado à população?  Como a população está aplicando estas informações no dia a dia?  Tudo isso, mais uma vez, vem ao encontro das palavras de Masi (2019, p.214), onde o autor explica que:

    “Sem informação, nenhum ser humano pode se desenvolver e nenhum sistema social pode funcionar. Mas, quando a informação se transforma em um bombardeio excessivo como é hoje, o equilíbrio pessoal e o social correm sérios perigos. Aos cidadãos, cabem cultura e experiência para escolher as mensagens certas e descartar as supérfluas. À sociedade, cabe separar o poder da mídia do económico e do político para salvar a democracia.”

    Tomemos por exemplo o caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), objeto de estudo do meu projeto, que conforme noticiado na mídia pela jornalista Thâmara Kaoru em 08 de janeiro de 2020, antes da decretação de pandemia, ter cerca de 2.000.000 (dois milhões) de processos pendentes de análise. Naquele momento já era bastante difícil para a população saber onde e a quem recorrer para ter suas demandas atendidas. Com a decretação da pandemia o que houve com esses 2.000.000 de brasileiros que estavam esperando ter suas demandas contempladas? Desde 2017, quando deu-se início ao Processo de Transformação Digital do INSS, os segurados vem recebendo uma sobrecarga de informações acerca destas mudanças. Com a chegada da pandemia isso se acelerou de tal forma que os segurados não sabem exatamente aonde se dirigir para resolver e terem atendidas suas solicitações, pois decretado o isolamento agências foram fechadas e toda a demanda da população direcionada para o atendimento eletrônico, via internet ou teleatendimento.  Mas é preciso lembrar que é possível automatizar os processos, mas não as pessoas. O INSS vive a Utopia Tecnocrática, conforme descrito por Davenport (1998), pois toda e qualquer informação que circula, em todos os níveis da Instituição, defende o uso maciço da tecnologia como a solução para os seus principais problemas: represamento de processos de reconhecimento de direitos, prevenção de fraudes, eliminação de filas de espera, virtuais ou não, etc. É tanta informação diferente em tão curto espaço de tempo que exigências mínimas solicitadas para a concessão dos benefícios foram de tal forma simplificadas, na tentativa de facilitar o acesso da população em geral, que os riscos aumentam de forma exponencial, abrindo portas para possíveis fraudes e comprometendo a garantia de integridade dos benefícios gerados. Isso mostra a dificuldade de a instituição fazer chegar a informação aos seus usuários de forma clara e concisa, não soube lidar com as profundas mudanças em seus processos de trabalho e, consequentemente, não soube repassar aos usuários a forma correta de adaptação a estas mudanças. Agora, arrebatados pela decretação da pandemia, a situação se agrava e ainda tende a piorar.

    Referências

    DAVENPORT, T. H. Ecologia da informação: porque só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998.

    KAORU, T. INSS tem mais de 2 milhões de pedidos de benefícios na fila de espera. 2020. Thâmara Kaoru do UOL. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/01/08/inss-beneficios-parados-analise.htm. Acesso em: 27 mar. 2020.

    MASI, D. De. Uma simples revolução. Trabalho, ócio e criatividade. Novos rumos para uma sociedade perdida. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. 368 p.


  • Reflexões sobre Competência em Informação em tempos de pandemia (02)

    Publicado em 23/06/2020 às 12:33

    Hoje, publicaremos este segundo texto que traz reflexões sobre a competência em informação no cenário de sobrecarga, ansiedade, excesso e falta de informação – desinformação. Os textos foram uma provocação aos pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) da disciplina PCI410043 – Competência em informação, semestre 2020-1. Nesta nova postagem, trazemos a reflexão escrita por

    Patricia Siqueira Santos – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PGCin/UFSC).

    patriciasiqueirass@gmail.com

     

    Se no passado existiu o dilema da falta de informações, considerado problema por promover desinformação, nos dias de hoje a questão se aloca ao excesso de informações disponíveis. O curioso é pensar que mesmo neste novo contexto seguimos falando em desinformação. Estamos imersos em um contínuo emaranhado de notícias de todos os cantos do mundo e somos obrigados a codificá-las para que façam sentido em nossas vidas (De Masi, 2019). Esta função é inevitável, uma vez que nossas relações sociais e de trabalho se dão neste ambiente informacional. A informação aumenta e sua influência é cada vez maior, tornando-se a matéria prima essencial de grande parte dos profissionais (Hatschbach, 2002). Para manter-se equilibrado meio à conturbada rotina informacional se faz necessário desenvolver habilidades para transformar informação em conhecimento. A competência em informação se insere neste âmbito como promotora de aprendizagem para leitura e compreensão do mundo, da “ciência e tecnologia, suas implicações e consequências, para poder ser elemento participante nas decisões de ordem político e social que influenciarão o seu futuro e o de outras gerações” (Beluzzo, 2001). Ainda segundo Beluzzo (2001) ser competente em informação exige constante exercício de autonomia, questionamento, criatividade, iniciativa, crítica, o tão falado aprender a aprender. Ações necessárias para o trânsito na chamada Sociedade da Informação, que evolui constantemente com a conexão em rede. Em tempos de “infodemia”, buscar identificar as informações corretas torna-se questão de saúde mental e também saúde pública. O termo foi cunhado pela Organização Mundial da Saúde para fazer alusão a uma epidemia de notícias falsas, com práticas informativas que disseminam medo e crença em fatos inverídicos (El País, 2020). Competente em informação é aquele que se mantém no constante exercício de apreender o mundo com abertura para o novo e atenção para a validade dos fatos.

    REFERÊNCIAS

    BELLUZZO, Regina Célia Baptista. A information literacy como competência necessária à fluência científica e tecnológica na sociedade da informação: uma questão de educação. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA UNESP, 7., 2001, São Paulo. Anais […]. São Paulo: Unesp, 2001. Disponível em: https://simpep.feb.unesp.br/anais/anais_08/gi2001.zip. Acesso em: 24 mar. 2020. DE MASI, Domenico. Uma simples revolução. Tradução de Yadyr Figueiredo. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. EL PAÍS. Pandemia de Coronavírus: Como você está lidando com tudo isso? 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020/03/26/eps/1585230599_941393.html. Acesso em 31 mar 2020. HATSCHBACH, Maria Helena de Lima. Information literacy: aspectos conceituais e iniciativas em ambiente digital para o estudante de nível superior. 2002. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Ministério da Ciência e Tecnologia. Rio de Janeiro; Brasília, 2002. Disponível em: https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/722/1/mariahelena2002.pdf. Acesso em: 24 mar. 2020.